Onde os fracos não tinham vez

Atualmente está na moda ressucitar antigas franquias de videogame. Somos bombardeados com novas versões de jogos antigos, verdadeiros clássicos que estavam esquecidos.

Desde versões que herdam apenas o nome do antepassado à belos remakes, todos os dias surge alguma noticia sobre um título antigo que dará as caras repaginado para a nova geração.

De tudo o que tenho visto, percebo que um dos meus gêneros preferidos não vai voltar tão cedo… falo dos clássicos beat’em’up, que fizeram muito sucesso nos fliperamas e consoles da era 16-bits.

Games como Double Dragon, Final Fight, Streets of Rage, Vendetta, Cadillac & Dinosaurs e muitos outros, que fizeram a alegria de jovens incautos e de proprietários de casas de fliperama que lucravam com as dezenas de fichas que as máquinas nos “roubavam” a cada partida.

Esses jogos dividiam a cena com os jogos de luta nos arcades mundo afora no inicio dos anos 90 e até hoje tem muitos fãs saudosos. Então porque eles sumiram?

Por uma série de motivos.

Primeiro de todos, a decadência dos arcades, que perderam espaço para os consoles domésticos mais poderosos. Pense bem, no inicio dos anos 90, jogar a versão do SNES de Final Fight não se comparava, nem de longe, a joga-lo num arcade. Porém, com o advento dos consoles mais modernos, a diferença tornou-se bem menor, quase inexistente. E era mais seguro jogar em casa do que no fliper sinistro no centro da cidade.

Ainda relacionado com os consoles, temos o advento dos jogos em 3d. Com a mudança da visão lateral ou isométrica para o 3d, surgiram novas franquias, jogos que exploravam as possibilidades da movimentação e da câmera… poucos games conseguiram fazer a transição para a terceira dimensão mantendo a qualidade e a jogabilidade pela qual eram conhecidos.

Aqueles que tentaram e não conseguiram, acabaram por enterrar o gênero. Está ai Final Fight:Streetwise que não me deixa mentir.

A própria jogabilidade do gênero de jogos de ação sofreu mudanças. De um lado temos os jogos como Ninja Gaiden, God of War e principalmente Devil May Cry, que estabeleceram a ação frenética e combos incessantes. De outro, os jogos de mundo aberto, que tornaram-se referências obrigatórias para titulos ambientados no mundo “real”.

Jogos beat’em’up não tinham nada disso. Nada de combos mirabolantes. Nada de minigames ou evolução de personagens como num RPG. Qual era a graça deles, afinal?

A jogabilidade consistia em bater nos inimigos, avançar pela fase, bater em mais inimigos, enfrentar um chefão – geralmente, o unico adversário realmente desafiador da fase – e prosseguir para o proximo estágio, até dar um fim na gangue, salvar a namorada do herói, etc. Simples, previsivel e altamente viciante.

A dificuldade tornava-se maior conforme a quantidade de jogadores participando e o avançar das fases. Conheci poucas pessoas que não perdiam muitas fichas na última fase da maioria desses jogos e só um cara que “zerou” Final Fight com uma única ficha.

Os melhores do gênero sempre tinham pelo menos três personagens selecionaveis – alguns tinham até 04 – e com sorte você encontrava arcades em que dava para jogar com mais dois amigos.. o visual dos jogos era aquilo que viamos em filmes de ação na época. Punks, garotas que você não apresentaria para a sua mãe, pichações, grandalhões de jaqueta de couro e mullets.. estações de metrô e ruas decadentes eram o básico. Sempre tinha um movimento especial – que consumia a barra de vida do personagem – e cada personagem tinha golpes e estilo de luta diferente, alem da possibilidade de pegar armas dos inimigos ou pelo cenário.

Isso tudo junto rolando na tela era diversão garantida!

Mas nem só de brigas de gangue viveram os beat’em’ups. Modificando pouco da jogabilidade, havia espaço para outras ambientações. Knights of the Round aproveitava-se da história do Rei Arthur; Cadillac & Dinosaurs era uma história de ficção cientifica que misturava tiroteios, carrões, aliens e dinossauros… e houveram outros, que até hoje, não encontraram igual nas suas novas versões: The Simpsons, Teenage Mutant Ninja Turtles e Alin VS Predador nunca foram tão bons quanto em suas primeiras versões para arcade.

Agora que vemos a SEGA levando Sonic de volta para os jogos sidescroll, a Capcom desenvolvendo vários remakes de titulos antigos – e mantendo a jogabilidade que os tornou tão famosos – será que veremos uma volta dos bons e velhos beat’em’up?

Eu espero que sim. E você?

4 respostas para Onde os fracos não tinham vez

  1. Gil "Outer Heaven" disse:

    Boa, Pablo! Prevejo mais um “blog” bacanudo de gamer para gamers aqui. ^^d

    Só pra deixar meu comentário acerca do assunto, espero que a Capcom (e outras) que tenham a intenção de trazer velhos clássicos que marcaram a vida dos jogadores dos anos 90 não queiram enfeitar demais ou “inventem de inventar” nessas franquias.

    Tudo bem que associar o conceito de jogo e diversão de hoje com o passado, onde tudo era mais simples, é totalmente inviável. Mas se for para “arriscar” uma cagada ao invés de mostrar aos jogadores de hoje algo que fez história no passado, que mantenham bem enterrado ou distribuam o original via download.

    Em tempo, deixo registrado aqui : a diretoria da Capcom merece tomar dez chibatadas com os fios de DualShock 2 por ter autorizado os assistentes dos ajudentes dos faxineiros do período noturno, que ficavam brincando nos computadores de madrugada, a lançar “aquilo” que deram o nome “Final Fight” Streetwise.

    Minha ameaça: se a Sega fizer “fezes” com um, quem sabe, vindouro Streets of Rage… que não cometam a mesma atrocidade que fizeram com Sonic, que perdeu sua identidade e até hoje não possui um “universo” próprio que o defina.

    Abraço, see ya

  2. André Forte disse:

    Fala Pablito!!!
    Neste texto eu tenho vez, então! Eu sou FORTE!!!!!
    Parabéns pelo blog!!!! Visitarei regularmente, pois adorei os primeiros tópicos!
    Só não faça como eu, heim? Atualize sempre, caso contrário, ninguém mais vai querer ler!
    Apenas uma observação: O tal do Gil aí de cima não manja nada de games…manda ele fazer detonado de Ninja Bread Man que ele ganha mais!
    E sim, eu quero um novo Streets of Rage!!!!!!!!

  3. Bruna Torres disse:

    Muito bom o blog! Gostei muito e já está linkado no meu Pablo!

    Então, sobre a matéria tenho um ótimo jogo que poderia ser feito um remake: lembra do filme Bloodsport (Grande Dragão Branco), com o Van Damme e Chong Li?

    Então, nesse filme o Frank Dux (Van Damme) está jogando fliperama com o outro lutador lá (Ray Jackson), e esse jogo poderiam sair para consoles heheiheihehiehiohie…

  4. Pablo Raphael disse:

    Nossa.. do fundo do baú da Torres Raider.

    E o pior que lembro dessa cena, Bruna! É um joguinho estilo Vigilante (não aquele jogo do xbox, o antigo).

    Por sinal, sempre achei que O Grande Dragão Branco era o mais proximo de um bom filme de Street Fighter que poderiamos chegar!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: